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Projeto Nossa história, nossa gente - O desejo de ter o primeiro emprego

Projeto Nossa história, nossa gente
 Foto: Antonio Pereira Inácio e os pequenos operários 

Arquivo

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Como no passado as famílias eram numerosas os filhos pequenos ficavam na creche e escola maternal, enquanto pais e mães trabalhavam na Fábrica de Tecidos Votorantim, que era a maior geradora de empregos do distrito.

O dinheiro ficava comprometido para pagar contas e comprar alimentos. Não havia espaço para extravagâncias e as crianças quando cresciam, já tinham destino certo. Ao completar 14 anos, ou até mesmo antes, trabalhar na mesma empresa onde estava os pais e ajudar no sustento da casa.

Uma época que era comum muitos não serem registrados nas primeiras semanas de vida, havia a prática de fazer só depois o documento apontando uma idade maior, já pensando no futuro encaminhar logo os filhos ao trabalho.

A infância não era a de uma criança carente, mas tudo era simples. O dinheiro que entrava na casa era muito bem administrado para que nada faltasse. O pai exercia o controle de tudo e os filhos aprendiam bem cedo a assumir responsabilidades. 

As crianças ao passar nas imediações da fábrica de tecidos já via à distância uma molecada entrando ao trabalho, de calça curta, muitos descalços e na parte interna da empresa era possível ver a garotada muitas vezes empurrando carrinhos com materiais. Já se imaginava vendo a cena que um dia também estaria ali.

Para cada filho de operário havia a vontade que um dia ao crescer e ganhar corpo ajudaria no sustento da casa, que entregaria enquanto solteiro o envelope fechado com o pagamento do salário às mãos da mãe. Por isso o desejo desse primeiro emprego.

Muitas foram as famílias que apostaram que Votorantim ofereceria dias melhores. Aqui chegaram imigrantes europeus e migrantes vindos das mais variadas localidades, a maioria de municípios da zona rural.

Para quem morava antes na roça e dependia somente da colheita, ao vir a Votorantim encontrava registro em carteira e a garantia que todo mês teria o merecido pagamento salarial. Aqueles que não conseguiam morar nas proximidades da fábrica, tinha como alternativa o transporte em bondes ou encarar caminhadas em trilhas e se utilizando de archotes na troca de turnos à noite. Isso não era problema para quem tinha enfrentando as dificuldades da roça.


 

Coluna publicada na página 16, da edição nº 387 da Gazeta de Votorantim, de 24 a 31 de outubro de 2020



Veja mais fotos:

  1. Vista geral da fábrica na década de 20

  2. Vista geral da fábrica na década de 20







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