Histórias da minha cidade, Ed.363 - Rua Tarcísio Nascimento não foi varrida do mapa
A via pública no início dos anos 80 Cesar Silva
Se perguntar para os mais novos onde fica a rua Tarcísio Nascimento, na região central, dificilmente alguém vai apontar sua localização, mas boa parte da população relembra dessa via como uma das mais tradicionais da cidade. Muitos acreditam que ela deixou de existir e deu passagem ao trajeto da avenida Vereador Newton Vieira Soares, começando na esquina que dá acesso ao Estádio Municipal e o Terminal de Ônibus, passando atrás da Prefeitura e retornando na avenida 31 de Março, mas a rua continua a existir a partir do término da rua Albertina Nascimento.
Foi uma das vias mais antigas que passamos a ter, ali existia um moinho de propriedade de Salvador Donato e durante a formação de Votorantim o local ficou conhecido como Rua do Moinho. Seus primeiros moradores sofreram com a enchente de 1929. As crianças eram criadas ouvindo lendas como a visita do lobisomem e ninguém ousava sair sozinho em noites de lua cheia.
A denominação da rua homenageia Tarcísio Nascimento, que foi gerente das Indústrias Votorantim, casado com Albertina Nascimento e morou na chácara onde hoje sedia o Palácio 27 de Março (Paço Municipal). Essa via interligava à rua Antônio Festa que agora é uma boulevard que acessa ao prédio da Câmara e ao Centro Cultural Mathias Gianolla. Havia ainda um conjunto de casas onde atualmente é a pista de skate, ao lado do mini terminal de ônibus e atrás da Prefeitura.
Em 1983, a Prefeitura alegou que precisava fazer serviços de desassoreamento e alargar a via, iniciando o processo de desapropriação dos imóveis. Ao todo 11 propriedades foram demolidas. O último imóvel às margens do rio Sorocaba deixou de existir em setembro de 1998, dando início ao projeto de surgimento da avenida Marginal.
Ficaram agora doces lembranças das brincadeiras tradicionais infantis que foram retratadas na pintura que Ettore Marangoni fez para homenagear a rua, a movimentação dos jovens que desfilavam com as poucas lambretas que aqui existia, a lembrança do ambiente mais fresco e úmido pela proximidade das águas do rio Sorocaba, ao mesmo tempo a preocupação com o nível em período de intensas chuvas e os causos contados por quem ali residia.
Cesar Silva nasceu em Votorantim, é jornalista servidor municipal e autor de três livros sobre a história local
Coluna publicada na página 13, da edição nº 363 da Gazeta de Votorantim, de 09 a 15 de maio de 2020.





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