Histórias da minha cidade - As transformações na avenida 31 de Março
Final da Rua do Comércio, só com uma pista Cesar Silva
O principal corredor viário de Votorantim está saturado pelo volume de carros em circulação. Imaginar que as facilidades dos novos tempos e a mudança de hábitos da população fez-se perder o costume de utilizar os ônibus com mais frequência e de fazer caminhadas em direção ao centro.
Com o transcorrer dos anos, já não é mais possível ver com tanta frequência, na principal avenida, homens utilizando chapéus e mulheres com sombrinhas. Além disso, outros costumes se perderam como carregar sacolas de nylon, muito utilizadas nos tempos de nossas avós e que não nos deixavam na mão, pois não estouravam.
Muitos vão se lembrar que era comum ouvir nos bairros a fala ‘vou à cidade’ numa referência a avenida 31 de Março, já que desde os tempos em que era conhecida como a Rua do Comércio, concentrava as mais variadas atividades comerciais.
O tempo foi passando e alguns estabelecimentos foram deixando de existir nessa avenida, como o serviço de Alto-Falante, a alfaiataria e até mesmo a funerária. Porém outros ramos do comércio foram chegando e conquistando espaço a cada década. Foi-se o período das cadernetas, onde era possível comprar fiado na farmácia, no mercado e em outros estabelecimentos pois havia a confiança de quem vendia, mesmo o comprador morando a cerca distância.
Como não tem como segurar o progresso, foi no mandato do prefeito Luiz do Patrocino Fernandes, o Luizinho, que a Rua do Comércio era urbanizada e ganhava nova denominação, a de Avenida 31 de Março. Até hoje muitos não se conformam que a maior referência do município faça a homenagem a uma data do período do Golpe Militar.
A urbanização fez com que existisse a desapropriação de áreas em um dos lados da avenida, para que surgisse uma nova pista e o canteiro central. A sua inauguração foi o auge das comemorações do 8º aniversário de Emancipação, realizada na noite de 8 de dezembro de 1971.
Aí está a nossa avenida 31 de Março, a principal artéria de Votorantim, o nosso cartão postal àqueles que chegam pela primeira vez. A cada dia está ficando mais verticalizada, se fortalecendo e dando espaço para que as ruas adjacentes também desenvolvam o comércio.
Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local
Coluna publicada na página 12 da edição nº394 da Gazeta de Votorantim de 12 a 18 de dezembro de 2020.





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