Trocas de Figurinhas da Copa do Mundo movimenta colecionadores em bancas de Votorantim
No Parque Bela Vista, também há um ponto de troca .
.
Vanessa Corrêa
Já é Copa! Faltam 43 dias para o início da Copa do Mundo de Futebol, que neste ano será no Qatar, país do continente Asiático. Mas em Votorantim, ela já começou. As famosas trocas de figurinhas entre colecionadores e amantes da modalidade têm agitado as bancas de jornal e outros pontos de venda da cidade.
Nesta edição, para completar o álbum com todos os jogadores da competição, cromos especiais de estádios e seleções antigas, são necessárias 678 figurinhas. Com preços tabelados, o modelo tradicional do livro é vendido a R$ 12 e o de capa dura, por R$ 44,90. Com cinco figuras, cada pacote custa R$ 4, sendo assim, os colecionadores devem gastar em média R$ 542 com figurinhas, contando que não tire nenhuma repetida, o que é muito difícil e motiva a busca pela troca das repetidas.
Segundo o proprietário da “Banca Central”, localizada na avenida 31 de março, Cleidson Ferreira, 50 anos, os períodos de maior movimento ocorrem aos finais de semana, o que motivou o empresário a investir em mesas e cadeiras, que são posicionadas em frente ao comércio e dão espaço para dezenas de pessoas acomodarem-se no momento das trocas de figurinhas.
“Sinto que as pessoas estão mais empolgadas do que na última edição da Copa do Mundo. Acho que ficamos muito tempo em casa durante a pandemia e está sendo um momento de reencontro para todas as idades”, considerou Ferreira.
Ainda segundo ele, a compra e troca de figurinhas alavanca as vendas e deve seguir durante a Copa do Mundo, que começa na segunda metade de novembro e vai até dezembro. “Poderia ter Copa todos anos”, brincou, acrescentando que o retorno financeiro é bom, mas o melhor é a expectativa das pessoas com a competição e a alegria com as trocas de figurinhas.
Emerson da Silva, operador de máquina, 42 anos, e seu filho, Daniel Souza da Silva, de 10 anos, compraram o álbum há cerca de um mês e estão empenhados em completá-lo. “Estamos aqui quase todos os finais de semana. Eu me divirto com meu filho, é um momento nosso”, contou.
O pequeno Daniel estava com brilho nos olhos. “Eu acabei de tirar o Neymar”, disse ele, apontando para a figurinha do atacante da Seleção Brasileira, que está entre as mais procuradas pelos colecionadores e chegou a ser oferecida na internet pelo valor de R$ 9 mil, na versão dourada, uma das “figurinhas extras” do álbum.
Moacir Antônio Pereira, aposentado, 69 anos, já completou dois álbuns e está em busca do terceiro. “É um passatempo, estou completando com a minha família”, contou. Com cerca de 50 figurinhas repetidas e anotações sobre a coleção nas mãos, o senhor estava em meio aos adolescentes, buscando as figuras que ainda precisa. “É algo que une todas as idades. Eu não vejo a hora que comecem os jogos na televisão, acredito que esse ano será do Brasil”, opinou, esperançoso com o hexacampeonato brasileiro.
Valdemir Tenor, 60 anos, estampador aposentado, já completou três álbuns. Ele foi nosso personagem também há quatro anos atrás, em reportagem com o mesmo tema, assinada por Matheus Cirone. “Eu gosto muito de estar aqui. Conheço pessoas, converso, ajudo os outros nas coleções, sempre foi o meu hobby. Comecei a colecionar tarde, quando estava mais velho, mas era um sonho desde pequeno”, disse. Explicando que quando era criança não conseguia comprar por questões financeiras e observou que neste ano está mais difícil preencher o álbum pelo mesmo motivo. “O pacote de figurinhas está o dobro do preço de 2018”, pontuou.
Anselmo Cianfarani, advogado, 68 anos, levou os netos, Felipe e Vinicius, para comprar figurinhas. “Eu venho todos os fins de semana quando eles estão em casa. Ajudo-os a separar e colar, é sempre uma diversão em família”, relatou.
Em outros pontos da cidade a movimentação pelas trocas de figurinhas também é grande. Mateus Nascimento, 39 anos, proprietário da “Banca Nascimento”, localizada no Parque Bela Vista, investiu em outros itens além das figurinhas e dos álbuns, como camisas e bandeiras do Brasil. “Aproveitamos o momento para ampliar as nossas vendas, ainda vamos contar com camisas de outros times e versões retrôs”, contou, comemorando o aumento da demanda. “O pessoal se reúne aqui aos finais de semana e até mesmo durante a semana, depois do expediente. Já é uma tradição”, contou.
Edson Martins, 60 anos, aposentado, já está com três álbuns desta edição completos. “Eu coleciono desde a Copa de 1970. É sempre um divertimento. Agora estou ajudando o pessoal e completando mais um”, disse.
Ronaldo Macedo, 50 anos, professor, contou que a paixão pelas figurinhas é tradição familiar. “Eu colecionava com meu pai, é um gosto antigo”, considerou. Ele contou que já tem um álbum completo e está ajudando as crianças da família a completar mais um. Relatou que acompanha bastante futebol, campeonatos brasileiros e internacionais. “A Seleção do Brasil é a melhor, é a mais preparada, estou confiante”, finalizou.
Reportagem publicada na edição 485 da Gazeta de Votorantim de 08/10/2022





COMENTÁRIOS