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Votorantim,13/03/2026

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    Opinião: O alto custo da incompetência


    Opinião: O alto custo da incompetência



    Por Fernando Grecco*


    A crescente e justificada incredulidade no poder político municipal (sobretudo) tem se materializado como um sintoma inequívoco do desgaste institucional que afeta a relação entre representantes e representados. Tal ceticismo não surge necessariamente de abstrações ideológicas, mas de fatos, reiterados e ostensivos, que revelam uma gestão pública frequentemente dissociada dos princípios da razoabilidade, da economicidade e da moralidade administrativa. Em um cenário de carências estruturais profundas e demandas sociais urgentes, “decisões” administrativas passam a ser observadas com lupa por uma população cada vez mais desconfiada e desencantada.

    Nesse contexto, causa profunda perplexidade a recente aquisição, pela Câmara de Vereadores de Votorantim, de 83 computadores ao custo unitário, pasmem, de R$ 10.600,00, alcançando a cifra aproximada de R$ 882.900,00. O valor, manifestamente elevado para equipamentos de informática de uso administrativo comum, acende questionamentos técnicos sobre critérios de mercado, estudos comparativos de preços e efetiva necessidade funcional. A operação, marcada por aparente desproporcionalidade e ausência de parcimônia, imprime a imagem de um gasto dispendioso, inflado e potencialmente injustificável, em frontal desarmonia com o princípio da eficiência que deveria orientar a administração pública.

     Tal episódio demonstra um preocupante desmazelo com o dinheiro público, recurso que é, por definição, escasso e vinculado ao considerável esforço contributivo da sociedade. A decisão revela traços de negligência administrativa, imprudência orçamentária e total insensibilidade social, sobretudo quando confrontada com áreas essenciais subfinanciadas. O uso displicente, pouco criterioso e tecnicamente questionável dos recursos coletivos reforça a percepção de uma gestão distante da realidade do cidadão comum e desatenta (para usar um eufemismo) às boas práticas de governança.

     A erosão da confiança pública é, portanto, decorrência direta desse tipo de procedimento. Como advertia René Descartes, “o bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída”, mas nem sempre parece orientar decisões políticas que necessitariam ser pautadas pela racionalidade e pela rigidez lógica. A ausência de transparência, aliada a escolhas administrativas opacas, insensatas e delirantes, alimenta um sentimento difuso de descrença, insolência e decepção, comprometendo a legitimidade das instituições locais.

     Em conclusão, a aquisição dos referidos computadores transcende o mero debate contábil e admite contornos simbólicos de uma crise bem mais profunda: a da confiança no poder político municipal. Enquanto prevalecerem práticas dispendiosas, questionáveis e eticamente frágeis, a vala entre o discurso político proferido e a realidade administrativa continuará a se ampliar. Resgatar a credibilidade exige mais do que justificativas formais (que nesse caso sequer ocorreram), mas demanda, no mínimo, responsabilidade, comedimento e respeito inequívoco ao interesse público.


    *Fernando Grecco é empresário. 

    (Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do jornal)





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