Policial acusado de matar vidraceiro pede indenização de R$ 20 mil à família da vítima
Um caso que já havia causado forte comoção em Votorantim ganhou um novo capítulo judicial que volta a mobilizar familiares e a opinião pública. O policial militar Júlio Cesar Garcia Lezier, apontado como autor dos disparos que resultaram na morte do vidraceiro Anderson Queiroz Camargo, de 28 anos, move uma ação indenizatória por danos morais no valor de R$ 20 mil contra os pais do jovem.
A ação tramita no Juizado Especial Cível da Comarca de Votorantim e foi protocolada em 10 de fevereiro de 2026. No processo, o policial alega que teria sido alvo de ofensas em redes sociais após o episódio ocorrido em 18 de janeiro de 2025, quando Anderson morreu durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar.
Segundo a petição apresentada à Justiça, o policial afirma que realizava o bloqueio de uma via quando o motorista teria desobedecido à ordem de parada e avançado com o veículo em sua direção. Diante da situação, o agente sustenta que teria reagido em legítima defesa, utilizando a arma de fogo, o que resultou na morte do condutor.
Após o caso, de acordo com o processo, familiares da vítima teriam publicado mensagens consideradas ofensivas nas redes sociais, com expressões que, segundo o autor da ação, teriam atingido sua honra pessoal e profissional.
Na ação judicial, o policial solicita que a Justiça determine a remoção das publicações consideradas ofensivas e a condenação dos responsáveis ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil, ou outro montante que o juiz entenda adequado. O processo também pede que a exclusão das postagens ocorra no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária.
Outro ponto que chama atenção no processo é que, ao ingressar com a ação, o policial indicou como endereço domiciliar e residencial o endereço do 40º Batalhão da Polícia Militar do Interior (40º BPM/I), localizado na Rua Guilhermina Glória Monteiro Ramos, nº 41, no Jardim Icatu, em Votorantim.
Caso segue sob investigação
A morte do vidraceiro Anderson Queiroz Camargo ocorreu na noite de 18 de janeiro de 2025, na Vila Dominguinho, em Votorantim. Na ocasião, a Polícia Militar informou em boletim de ocorrência que o motorista teria furado um bloqueio policial e atingido um dos agentes.
Familiares e testemunhas, no entanto, contestam essa versão. Segundo relatos apresentados pela família, Anderson retornava para casa com a esposa após buscá-la no trabalho quando o veículo teria sido cercado por policiais e atingido por diversos disparos.
O caso gerou protestos e manifestações públicas na cidade e passou a ser investigado pela Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de Sorocaba, com acompanhamento de representantes da OAB de Votorantim.
Passado mais de um ano do episódio, familiares da vítima afirmam ainda aguardar avanços nas investigações e o esclarecimento definitivo dos fatos.





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