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Votorantim,13/06/2026

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    Coluna Entrevista da Semana - Renato Delanhesi: o homem que descobriu, aos 87 anos, que “valeu a pena” e que uma boa soneca também ajuda

    Fonte: Foto do acervo de Cesar Silva
    Coluna Entrevista da Semana - Renato Delanhesi: o homem que descobriu, aos 87 anos, que “valeu a pena” e que uma boa soneca também ajuda Renato Delanhesi


    Quem vê Renato Delanhesi hoje, com sua trajetória consolidada no mundo dos negócios e passagem pela diretoria do Grupo Votorantim, pode até imaginar um homem inacessível, daqueles de poucas palavras e muitas decisões. Mas basta alguns minutos de conversa para perceber que, por trás da postura firme, existe alguém simples, direto e, em muitos momentos, surpreendentemente bem-humorado.

    Filho e neto de italianos, Renato carrega no sobrenome Muraro e Delanhesi não apenas a origem, mas também a herança de valores que ele resume com facilidade: “amor, carinho, educação e uma família religiosa”. A história da família começa com os avós que vieram da Itália e se estabeleceram em Tietê, onde ele viveu a infância até os 11 anos, antes de seguir para Sorocaba.

    E não espere dele uma infância romantizada. Renato é direto: “foi infância sofrida de família pobre”. Mas há espaço para a leveza e até um sorriso quando lembra das brincadeiras: futebol de rua, bola de meia e aquela rotina simples que, no fundo, moldou o homem que viria depois.

    Aos 14 anos, começou a trabalhar. “A função era contínuo, hoje office-boy”, conta, quase como quem relembra algo corriqueiro, mas que, na prática, foi o primeiro passo de uma jornada improvável. Sem grandes planos ou ambições mirabolantes, ele resume sua ascensão de forma quase despretensiosa: “nunca tive pretensão…sempre fiz minha função da melhor forma possível”.

    Talvez esteja aí um dos segredos.

    Ao longo dos anos, Renato passou por praticamente todos os cargos dentro da empresa: de contínuo a diretor. Mas, curiosamente, ele não trata isso como feito extraordinário. Prefere destacar momentos em que pôde fazer diferença de verdade como quando recebeu a missão de encerrar as atividades de uma fábrica têxtil e decidiu fazer o oposto: lutar para mantê-la aberta.

    “Pensei: vou propor a venda da fábrica para preservar o emprego do pessoal.”

    E deu certo.

    Esse olhar humano aparece de forma discreta em toda a sua trajetória, mesmo quando ele insiste em minimizar os próprios feitos.

    Quando o assunto é Votorantim, cidade onde construiu boa parte da vida, Renato também foge do discurso convencional. Nada de exageros ou ufanismo. Com a sinceridade que lhe é característica, solta uma de suas frases mais curiosas:

    “Para mim, a diferença entre Votorantim e Paris é só geográfica.”

    É o tipo de resposta que, à primeira vista, parece fria, mas que, olhando melhor, revela alguém que enxerga o mundo com equilíbrio, sem idealizações exageradas.

    Ele viu a cidade crescer, acompanhou a emancipação, testemunhou transformações importantes, mas prefere defini-la de forma simples: “era como uma grande família”. E, talvez por isso, guarda com carinho especial o bairro da Chave, onde diz ter sido “recebido de braços abertos”.

    Se no mundo profissional Renato construiu uma trajetória sólida, na vida pessoal ele não faz questão de complicar. Ao ser perguntado sobre lazer, responde com uma sinceridade quase desarmante:

    “Nada especial… adoro minha casa… só não abro mão de uma soneca após o almoço.”

    E é nesse tipo de detalhe que o “homem de negócios” vai dando lugar a alguém muito mais próximo, quase íntimo do leitor.

    Aos 87 anos, ao tentar se definir, ele não recorre a grandes discursos. Prefere algo simples, direto e coerente com toda a sua história: “Um homem e cidadão cumpridor dos seus deveres.”

    Mas é na despedida que Renato revela, talvez sem perceber, a síntese de tudo o que viveu sem exagero, sem vaidade, sem rodeios: “Tudo que vivi, tudo que passei , valeu a pena.”

    E, vindo de alguém que começou com uma bola de meia na rua e terminou como diretor de um dos maiores grupos do país, essa frase diz mais do que qualquer currículo. 


    Por Werinton Kermes






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