UTI Neonatal de Votorantim encerra atividades mesmo após promessa de ampliação e anúncio de repasse estadual
UTI Neonatal Após anunciar em fevereiro a manutenção da UTI Neonatal do Hospital Municipal de Votorantim após articulação com o Governo do Estado, a Prefeitura volta a enfrentar questionamentos sobre o futuro do serviço. Nesta quarta-feira (06/05), colaboradores do Instituto Moriah, responsável pela gestão da unidade hospitalar, receberam um comunicado interno informando o encerramento das atividades da UTI Neonatal.
O documento, assinado pela Diretoria Geral do Instituto Moriah e obtido pela reportagem, informa que “em 06 de maio de 2026, se encerrarão as atividades da UTI Neonatal” e agradece aos profissionais que atuaram no setor ao longo dos anos.
O anúncio ocorre pouco mais de dois meses após a Prefeitura de Votorantim ter recuado da decisão de fechar a unidade, após forte repercussão negativa e mobilização política e popular.
Em fevereiro, a administração municipal havia informado oficialmente que a UTI Neonatal seria desativada a partir de abril de 2026, alegando inviabilidade financeira para manter o serviço com recursos próprios. Na ocasião, a Prefeitura argumentou que o atendimento de alta complexidade deveria ser financiado pelo Governo do Estado, conforme previsto na legislação do SUS.
Após a repercussão do caso, o prefeito Weber Manga (Republicanos) divulgou um vídeo afirmando que havia buscado solução junto à Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo. Segundo o prefeito, o Governo do Estado garantiria aporte financeiro para evitar o fechamento da unidade.
Na época, também foi anunciado que o Hospital Municipal Dr. Lauro Roberto Fogaça passaria de quatro para dez leitos de UTI Neonatal, todos subsidiados pelo Estado de São Paulo e integrados ao sistema CROSS, responsável pela regulação estadual de vagas.
Entretanto, em março, o presidente da Câmara Municipal, vereador Rodrigo Kriguer, apresentou requerimento questionando oficialmente a situação da UTI Neonatal e os planos da Prefeitura para manutenção dos leitos.
Na resposta enviada ao Legislativo, a Prefeitura confirmou que a UTI Neonatal contava com quatro leitos, sendo dois de terapia intensiva e dois semi-intensivos, ao custo mensal de R$ 468.628,25 aos cofres municipais. O Executivo destacou ainda que os leitos eram exclusivos para moradores do município e não sofriam interferência da regulação estadual via CROSS.
No mesmo documento, o governo municipal informou que decidiu manter “temporariamente” o serviço diante do apelo social e para evitar desassistência à população, até que fosse definido um novo fluxo regional de atendimento.
A Prefeitura também afirmou que, nas tratativas para obtenção de recursos estaduais e federais, identificou que eventual financiamento externo resultaria na perda da governança municipal sobre os leitos, já que as vagas passariam a ser administradas pelo sistema CROSS. Segundo o Executivo, isso poderia fazer com que moradores de Votorantim fossem transferidos para outras unidades hospitalares da região.
Agora, com o comunicado interno do Instituto Moriah anunciando o encerramento das atividades da UTI Neonatal, volta a crescer a preocupação sobre o atendimento neonatal de alta complexidade no município.
Até o momento, a Prefeitura de Votorantim não divulgou nota oficial pública sobre o novo fechamento informado aos colaboradores do hospital, nem esclareceu se haverá substituição do serviço, transferência da demanda para outras cidades ou continuidade do atendimento por meio da rede estadual.
O que diz a prefeitura
Em nota, enviada à Gazeta de Votorantim, na noite desta quarta-feira (06), a Prefeitura confirmou o encerramento das atividades. Confira:
“A Prefeitura Municipal de Votorantim, por meio da Secretaria de Saúde, confirma o encerramento das atividades da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Municipal Dr. Lauro Roberto Fogaça.
A administração municipal reafirma seu compromisso com a qualidade do atendimento à população e informa que a decisão foi tomada com base em critérios técnicos e assistenciais, após análise detalhada das redes regional e municipal de saúde. A região dispõe de estrutura hospitalar financiada pelo Estado plenamente capacitada para atender, com qualidade e segurança, a toda a demanda de partos e cuidados neonatais.
Além disso, a demanda local por leitos de UTI neonatal em Votorantim não justifica a manutenção da unidade, o que compromete a eficiência na utilização de recursos públicos e a sustentabilidade do serviço.
A Prefeitura de Votorantim ainda solicitou apoio ao Governo do Estado. O prefeito Weber Manga, acompanhado do então secretário municipal de saúde, esteve diversas vezes na Secretaria de Estado para explicar a demanda.
Sem a definição de apoio do Estado, a prefeitura optou pela reorganização da rede municipal, priorizando a concentração de atendimentos em unidades com maior volume e capacidade instalada para garantir maior segurança assistencial a mães e recém-nascidos.
A Prefeitura de Votorantim reforça que gestantes e recém-nascidos não ficarão desassistidos. O atendimento continuará a ser realizado de maneira integrada com a rede regional, com encaminhamentos organizados e suporte adequado para garantir acesso rápido e seguro aos serviços especializados.”
Reportagem atualizada às 22h11
Por Luciana Lopez






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