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Votorantim,17/07/2026

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    Crônica da semana - Sérgio Pinto: pequeno na estatura, gigante na coragem de pensar Votorantim


    Crônica da semana - Sérgio Pinto: pequeno na estatura, gigante na coragem de pensar Votorantim


    Há homens que medem sua grandeza pela altura. Outros, pela fortuna ou pelo poder que conseguiram acumular. Sérgio Pinto pertence a uma espécie mais rara: a dos homens que são grandes pelo conhecimento, pelo caráter, pelas decisões que tomaram e pela coragem de dizer aquilo que muitos preferem silenciar.

    Aos 93 anos, Serginho, como é carinhosamente conhecido, conserva uma memória admirável e um olhar atento para Votorantim, o Estado, o Brasil e o mundo. Ficou 30 anos longe da cidade, mas nunca permitiu que Votorantim ficasse longe de seu coração. A distância não apagou suas raízes; talvez tenha tornado ainda mais claro aquilo que a cidade poderia ter sido e ainda poderá ser.

    Filho de Alfredo Pinto, jogador do Savoia e funcionário da fábrica, e de Anunciata Matarazzo, italiana de origem, Sérgio cresceu ao lado de sete irmãos. Nasceu na rua John Bronley, na Barra Funda, em frente ao hospital, quando Votorantim ainda era um grande bairro de Sorocaba e seus moradores carregavam o orgulho simples e resistente de uma comunidade operária.

    Em 1956, depois de concluir sua formação profissional no Senai, aceitou o convite de um amigo e partiu para São Paulo. Costuma dizer que era apenas “um caipira” diante de uma das maiores cidades do mundo. Mas era um caipira que não permitia que o medo decidisse seu destino.

    Apresentado a um diretor norte-americano da Caterpillar, Sérgio sentou-se diante daquele homem importante levando consigo apenas a formação, a honestidade e a disposição para trabalhar. O diretor simpatizou com o jovem votorantinense. A partir daquele encontro, o operário do chão de fábrica começou a crescer dentro da multinacional. E, enquanto avançava, não se esqueceu dos seus: abriu caminhos para que outros “caipiras” de Votorantim também encontrassem oportunidades.

    Essa atitude revela muito sobre ele. Para Sérgio, crescer nunca significou subir sozinho.

    Mais tarde, tornou-se proprietário do primeiro posto de gasolina de Votorantim, numa época em que a avenida ainda era chamada de Rua do Comércio e a atual rua João Walter era uma chácara, onde funcionava a leiteria do senhor Matheus Conegero. Sérgio entrou no negócio para ajudar um amigo. Quando o companheiro não conseguiu mais conduzir o empreendimento, comprou sua parte e assumiu o posto, que permanece com a família até hoje. Mais uma decisão marcada por lealdade, coragem e responsabilidade.

    Sérgio é também uma memória viva da cidade. Conviveu com personagens como Pedro Augusto Rangel, doutor Garcia, Matheus Conegero, Mathias Gianolla e Luiz do Patrocino Fernandes. Foi amigo dos ex-prefeitos Erinaldo Alves da Silva e João Souto Neto e é primo do ex-prefeito Jair Cassola. Conheceu de perto homens que, com acertos e erros, participaram da construção de Votorantim.

    Talvez por isso suas críticas sejam tão fortes.

    Serginho afirma, sem medo de parecer pretensioso, que Votorantim está 20 anos atrasada. Para ele, esse atraso nasceu de gestões tímidas, sem planejamento, sem ousadia e sem uma visão de futuro. Faltaram administradores que amassem verdadeiramente a cidade e entendessem o poder como instrumento de construção coletiva, e não como caminho para o próprio progresso.

    Suas palavras incomodam porque carregam a experiência de quem viveu, trabalhou, empreendeu e nunca precisou da política para construir o próprio nome.

    Sérgio lamenta que Votorantim ainda seja tratada como cidade-dormitório. Observa que muitos moradores dos condomínios pouco convivem com a cidade e chegam a se sentir moradores de Sorocaba. Para ele, essa falta de identidade alimenta a baixa autoestima coletiva. Uma cidade que não se valoriza termina aceitando pouco, esperando pouco e cobrando pouco.

    Ao falar de Votorantim, Sérgio não fala movido pelo rancor, mas pelo amor ferido de quem sabe que a cidade poderia estar muito mais adiante. Sua indignação nasce da esperança. Ele ainda sonha com uma Votorantim bonita, moderna, pulsante, economicamente forte e orgulhosa de si mesma.

    Na vida familiar, orgulha-se da filha Adriana, do filho Sérgio e de sua única neta. Para eles e para todos os jovens, deixa uma recomendação que repete como um lema: “Estudar, estudar e estudar”. Acredita que somente o conhecimento permite que uma pessoa chegue aonde deseja de maneira digna e honesta.

    Sérgio Pinto é miúdo apenas na estatura. Em tudo o que realmente importa, é um gigante. Gigante na memória, no caráter, no trabalho e na coragem de defender Votorantim.

    Aos 93 anos, ele não olha para a cidade apenas com saudade do que passou. Olha com impaciência para aquilo que ainda não chegou. E nos deixa uma pergunta incômoda, mas necessária: quanto tempo mais Votorantim precisará esperar para encontrar gestores que amem a cidade mais do que amam o próprio poder?


    Por Werinton Kermes

    Fotos: Werinton Kermes








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