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Votorantim,15/10/2026

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    Professor: o herói que a sociedade esqueceu de enxergar

    Coluna Você Repórter


    Professor: o herói que a sociedade esqueceu de enxergar

    Um olhar de quem celebra seu primeiro Dia dos Professores em sala de aula
    Este é o meu primeiro Dia dos Professores atuando no ensino técnico profissionalizante. Confesso que, antes de entrar para a educação, eu admirava os professores. Hoje, depois de estar do outro lado da sala, passei a respeitá-los ainda mais.
    Ser professor é muito mais do que ministrar aulas.
    Por trás de cada aula existe planejamento, estudo, elaboração de materiais, correção de atividades, avaliações, preenchimento de documentos, relatórios, registros pedagógicos, reuniões, formações e uma infinidade de responsabilidades que quase ninguém vê.
    A verdade é que grande parte da sociedade conhece apenas a ponta do iceberg.
    O aluno vê o professor durante algumas horas por semana. Os pais, muitas vezes, enxergam apenas o resultado final. Mas há uma realidade silenciosa que acontece antes do sinal tocar e continua muito depois que os corredores da escola ficam vazios.
    É uma profissão construída sobre entrega.
    Entrega de tempo.
    Entrega de energia.
    Entrega emocional.
    Entrega de vida.
    E talvez seja justamente por isso que os números relacionados à saúde mental dos profissionais da educação sejam tão preocupantes.
    Pesquisas apontam que os professores estão entre os profissionais mais expostos ao estresse ocupacional. Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Saúde Ocupacional identificou prevalência de 13,8% de síndrome de burnout entre docentes da rede pública, além de elevados índices de desgaste psíquico.
    Outro levantamento revelou que 55% dos professores se sentiam sobrecarregados, 47% ansiosos e 57% afirmavam precisar de apoio psicológico e emocional, enquanto uma pesquisa do Instituto Península apontou que 84% dos professores se sentiam emocionalmente exaustos.
    Mas os desafios não param na sobrecarga.
    Nos últimos anos, o Brasil passou a conviver com uma preocupante escalada de violência no ambiente escolar. Estudos e relatórios nacionais demonstram que a segurança nas escolas se tornou tema de preocupação permanente para educadores, gestores e famílias.
    Em pleno século XXI, somos obrigados a fazer uma reflexão dolorosa:
    Que país é esse em que professores precisam se preocupar com a própria segurança dentro do ambiente escolar?
    Que sociedade é essa em que profissionais dedicados a ensinar, orientar e formar cidadãos são desrespeitados, ameaçados e, em alguns casos, agredidos?
    Precisamos urgentemente resgatar uma cultura de respeito à educação.
    E esse compromisso não deve ser apenas do Poder Público.
    É um dever de todos nós.
    Da família.
    Da escola.
    Dos alunos.
    Da sociedade.
    Nenhum professor é inimigo de um estudante.
    Nenhum educador entra em uma sala de aula para prejudicar alguém.
    Muito pelo contrário.
    Existe toda uma rede de profissionais trabalhando diariamente para oferecer oportunidades, desenvolver conhecimentos, despertar sonhos e preparar jovens para o futuro.
    Costumo dizer aos meus alunos que a educação funciona quando três forças caminham juntas: escola, família e estudante.
    Quando um desses pilares falha, todos perdem.
    Quando os três trabalham em sintonia, vidas são transformadas.
    E talvez essa seja a maior grandeza da profissão docente.
    O professor trabalha todos os dias acreditando no potencial de pessoas que, muitas vezes, ainda não acreditam em si próprias.
    Ele ensina futuros médicos.
    Futuros engenheiros.
    Futuros pesquisadores.
    Futuros empreendedores.
    Futuros trabalhadores.
    Futuros cidadãos.
    Na verdade, existe uma reflexão simples que resume tudo:
    Quem não precisou de um professor para chegar onde está?
    Antes de qualquer profissão, existiu um professor.
    Antes de qualquer diploma, existiu um professor.
    Antes de qualquer conquista, existiu alguém disposto a ensinar.
    Por isso, neste meu primeiro Dia dos Professores como educador, faço questão de registrar meu mais sincero respeito e admiração a todos os profissionais da educação.
    Especialmente aos professores que, mesmo diante de dificuldades, da falta de reconhecimento e dos inúmeros desafios diários, continuam acreditando que a educação pode transformar vidas.
    Porque transformam.
    Todos os dias.
    Em silêncio.
    Longe dos holofotes.
    Mas transformam.
    E talvez esteja na hora de a sociedade reconhecer aquilo que a escola já sabe há muito tempo:
    professores não são apenas profissionais da educação. São verdadeiros heróis da nossa sociedade.

    Feliz Dia dos Professores.
    Com respeito, gratidão e admiração.

    Referências:
    SciELO / Revista Brasileira de Saúde Ocupacional
    Prevalência e fatores associados à síndrome de burnout entre docentes da rede pública de ensino.
    Link: https://www.scielo.br/j/rbso/a/rYHznR6WDDrF9v5Bs66M4Gf/?format=html&ilang=pt_BR

    Instituto Península
    Pesquisas sobre valorização docente, saúde emocional e desenvolvimento profissional dos professores.
    Link: https://www.institutopeninsula.org.br/category/conteudo/pesquisas/

    CNN Brasil
    Pesquisa aponta que a saúde mental é um dos maiores desafios enfrentados pelos professores.
    Link: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/pesquisa-maior-desafio-de-professores-e-com-a-saude-mental-em-volta-presencial/

    Instituto Península (levantamento com mais de 2.500 profissionais da educação)
    Dados sobre sobrecarga, ansiedade e necessidade de apoio emocional aos docentes.
    Link: https://costanorte.com.br/geral/professores-estao-ansiosos-e-sobrecarregados-aponta-pesquisa-1348039.html

    (autoria preservada)




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