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Votorantim,28/10/2026

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    Opinião: Lula reeleito: a economia real e o vexame estratégico da direita


    Opinião: Lula reeleito: a economia real e o vexame estratégico da direita

    Por Fernando Grecco*

    A reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial, ou, metaforicamente, o sexto, se considerarmos Dilma Rousseff uma extensão política do lulismo, evidencia tanto a longevidade de um projeto de poder quanto a incapacidade da oposição de apresentar uma alternativa suficientemente convincente. A vitória eleitoral, contudo, não representa um salvo-conduto econômico. O governo precisará demonstrar que sabe ir além da expansão do consumo e dos programas de transferência de renda, enfrentando os entraves estruturais que limitam a produtividade, o investimento e a competitividade brasileira. Afinal, popularidade política não substitui eficiência administrativa, assim como crescimento conjuntural não equivale a desenvolvimento sustentável.
    A política econômica precisa enfrentar problemas concretos: crédito excessivamente caro, complexidade tributária, insegurança regulatória e custos operacionais que sufocam a capacidade de investimento. Para as micro e pequenas empresas, responsáveis por parcela expressiva dos empregos formais, essas dificuldades não são abstrações acadêmicas: significam contratar menos, adiar investimentos e, eventualmente, fechar as portas. É incoerente celebrar o empreendedorismo em discursos oficiais enquanto se impõe ao pequeno empresário uma verdadeira corrida de obstáculos burocráticos e financeiros. O país precisa de crédito produtivo acessível, simplificação tributária efetiva, previsibilidade jurídica e estímulos à inovação. Quem sustenta empregos não precisa de homenagens protocolares; precisa de condições para continuar empregando.
    Entretanto, se o governo precisa reformular sua estratégia econômica, a direita brasileira talvez precise, antes, reformular sua própria concepção de realidade. A campanha oposicionista parece ter sido concebida sob a premissa de que gritar mais alto equivale a pensar melhor, viralizar é governar e transformar adversários em caricaturas constitui um programa nacional de desenvolvimento. Foram guerras culturais recicladas, bravatas digitais e indignações cuidadosamente embaladas para as redes sociais, como se o eleitor fosse obrigado a confundir espetáculo com competência. O resultado oferece uma ironia monumental: setores que frequentemente reivindicam superioridade gerencial demonstraram dificuldade para executar a tarefa elementar de convencer a maioria. Aparentemente, faltou apenas combinar a próxima live indignada com uma planilha de propostas, embora
    talvez isso exigisse um esforço intelectual incompatível com a estratégia adotada.
    A derrota também expõe a pobreza de uma oposição que parece acreditar que Lula seja, simultaneamente, responsável por todos os problemas nacionais e incapaz de vencer uma eleição sem alguma explicação extraordinária. Quando a realidade eleitoral contraria as expectativas, surgem as justificativas; quando as propostas escasseiam, multiplicam-se os ataques; quando falta projeto, sobra indignação. É uma engenharia política curiosa: atribui-se ao adversário uma capacidade quase sobrenatural de manipulação, enquanto se concede à própria incompetência estratégica o benefício da inocência permanente. Talvez a direita devesse experimentar uma inovação verdadeiramente revolucionária: apresentar propostas econômicas consistentes, dialogar com quem trabalha e empreende e abandonar a fantasia de que algoritmos substituem votos.
    Lula inicia seu quarto mandato com a obrigação de enfrentar os juros elevados, ampliar o investimento produtivo, simplificar a vida das pequenas empresas e compatibilizar responsabilidade fiscal com desenvolvimento social. A oposição, por sua vez, tem o desafio de descobrir que indignação não é plano econômico, provocação não é liderança e viralização não é legitimidade eleitoral. O governo deverá ser cobrado pelos resultados; seus adversários, pela qualidade das alternativas que oferecem. Afinal, o Brasil não precisa escolher entre a retórica governista e o teatro oposicionista. Precisa de políticas públicas que funcionem, empresas capazes de crescer e empregos que sustentem famílias. E, se a direita ainda não compreendeu a mensagem das urnas, talvez seja necessário desenhar um gráfico: não para explicar o resultado, mas para demonstrar que repetir uma estratégia fracassada não é perseverança, é apenas insistência no erro com assessoria de imprensa.

    *Fernando Grecco é empresário.

    (Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do jornal)




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