Coluna Gestão em Pauta: Avaliação de Desempenho: o setor público está pronto para encarar a verdade?
Por Rodrigo Criguer*
Falar de avaliação de desempenho no setor privado é simples: metas claras, pressão por resultados, meritocracia e consequências rápidas. Já no setor público, o assunto ganha outra dimensão e, muitas vezes, vira apenas um ritual burocrático. Enquanto empresas privadas dependem da avaliação para sobreviver e se manter competitivas, grande parte das instituições públicas ainda encara o processo como um formulário protocolar, sem impacto real no comportamento ou na performance das equipes.
E é aqui que mora a provocação: quem mais precisa de avaliação séria é justamente quem menos utiliza seus resultados. A falta de critérios objetivos, a ausência de uma cultura de feedback, os processos engessados e uma estabilidade que muitas vezes desacelera a meritocracia criam um ambiente onde a avaliação perde o sentido antes mesmo de começar. O resultado é um serviço essencial operando no “tanto faz”, profissionais de alta performance sem reconhecimento e um custo invisível que recai sobre quem menos merece: o cidadão.
Enquanto isso, no setor privado, metas orientam comportamentos, resultados definem decisões e desempenho tem consequência. A avaliação é ferramenta estratégica, não formalidade. Mas a verdade é que nenhuma organização, pública ou privada, evolui sem medir, sem acompanhar e sem desenvolver pessoas de forma contínua.
A diferença é que, no setor público, quando a avaliação não funciona, a instituição perde pouco. Quem perde muito é a população. Avaliação de desempenho não é sobre cobrar mais, e sim sobre entregar melhor. E talvez esteja na hora de tratá-la com a seriedade que o serviço público exige e que o cidadão merece.
*Rodrigo Criguer é palestrante e consultor empresarial na Criguer - Consultoria Empresarial





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