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Votorantim,24/02/2026

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    Quanto custou a bandeira da paz?


    Quanto custou a bandeira da paz?


    Por Werinton Kermes*



    A política de Votorantim assistiu, nos últimos meses, a um movimento que merece ser analisado com atenção, não pelo que foi dito recentemente, mas justamente pelo que deixou de ser dito. O vereador Rogério Lima (Republicanos), que protagonizou ataques públicos ao prefeito Weber Maganhato (Republicanos), hoje atua como aliado do governo, comportando-se como se nada tivesse acontecido. Do outro lado, o prefeito também age como se ofensas, acusações e palavras duras nunca tivessem sido proferidas.

    E elas foram. Não em conversas reservadas, mas em entrevistas públicas, inclusive à TV Votorantim, onde Rogério Lima adotou um tom que ultrapassou a divergência política e entrou no campo da ofensa pessoal e institucional. Trechos dessas falas estão registrados e disponíveis ao público, mas, no presente, parecem ter sido convenientemente esquecidos.

    A pergunta central não é se a pacificação é desejável, ela sempre é. O que precisa ser explicado é como e a que custo ela foi construída. Quando um vereador que atacou duramente o prefeito passa a integrar o campo governista sem qualquer explicação pública, e quando o chefe do Executivo aceita esse convívio como se nada tivesse ocorrido, o gesto deixa de ser maturidade institucional e passa a exigir transparência. Não é segredo que, em determinado momento, o destino do governo esteve nas mãos da Câmara, e manter uma base confortável tornou-se estratégico.

    Também é legítimo questionar se o vereador, ao usar reiteradamente a mídia local para expor seu ódio, suas denúncias e ataques ao governo e ao prefeito, não tinha justamente esse propósito: se valorizar politicamente, ampliar seu espaço e, como se diz na política mais rasteira, “ganhar preço” para negociações futuras.

    Quanto custou, afinal, essa súbita bandeira da paz? Custou cargos? Espaços políticos? Compromissos silenciosos? Ou apenas o esquecimento do que foi dito diante das câmeras? O eleitor tem o direito de saber por que palavras tão duras perderam validade da noite para o dia.

    Ao aceitar o convívio com quem o atacou reiteradamente e chegou a acusá-lo publicamente de oferecer “pastel” a ele e a outros vereadores, o prefeito Weber Maganhato também faz uma escolha política que precisa ser interpretada. É conveniência política? Necessidade de maioria? Cálculo eleitoral? Seja qual for a resposta, ela não pode permanecer no silêncio. O silêncio, nesse caso, não apazigua, e sim deseduca o debate público.

    A democracia exige coerência, memória e respeito ao cidadão. Divergir é legítimo. Reconciliar-se também. O que não pode se tornar regra é atacar hoje e caminhar lado a lado amanhã sem qualquer explicação. Isso não é pacificação; é apagamento político.



    *Werinton Kermes é jornalista, documentarista e  editor-chefe da GV





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