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Votorantim,24/02/2026

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    Editorial - Ao apagar das luzes, a compra de 83 computadores


    Editorial  - Ao apagar das luzes, a compra de 83 computadores


    A decisão da Câmara Municipal de Votorantim de comprar 83 computadores, ao custo de R$ 882,9 mil, ocorre em um momento que exige mais do que legalidade administrativa. Exige sensibilidade política, leitura do contexto e, sobretudo, compromisso com a realidade vivida pela cidade.

    Votorantim atravessa uma das piores crises administrativas dos últimos 20 anos. A Prefeitura convive com dificuldades para honrar compromissos básicos, atrasos de pagamentos a entidades essenciais como Casa de Belém, APAE e ADV, além de manifestações frequentes em frente ao Paço Municipal. A gravidade do cenário levou o prefeito Weber Maganhato a prorrogar por mais seis meses o decreto de redução do expediente da administração municipal, estendendo as medidas de contenção de gastos até 30 de junho de 2026, em nome do equilíbrio entre receitas e despesas públicas.

    É nesse contexto que a compra de dezenas de computadores chama a atenção não apenas pelo valor, mas pelo simbolismo. Esta semana o presidente Rodrigo Kriguer ao doar três veículos oficiais à Prefeitura que pertenciam à frota da Câmara fez um discurso ao lado do prefeito de quem sabe o que é cortar gastos desnecessários.

    Houve vereador que fez questão de afirmar, em alto e bom som, que não precisava de carro oficial. A pergunta que naturalmente se impõe é outra: se não precisa de carro, precisa de computador novo para a Câmara? Ou da mesma forma que diz utilizar seu veículo próprio, não pode ter seu notebook para suas demandas diárias e reduzir o número de computadores a serem comprados? Ou, mais ainda, precisa-se de 83 computadores ao mesmo tempo? Oitenta e três?

    O debate torna-se ainda mais sensível diante da postura do presidente da Câmara, Rodrigo Kriguer, que tem defendido com rigor o atendimento às recomendações do Tribunal de Contas do Estado, especialmente na redução do número de assessores por vereador, de dois para um. Se a palavra de ordem é ajuste, racionalização e contenção, é legítimo questionar como essa lógica se traduz na prática quando se trata de investimentos internos.

    Não se trata, aqui, de afirmar ilegalidade. Tudo indica que o processo licitatório segue os trâmites formais. Mas a política não se sustenta apenas na legalidade fria dos atos. Governar e legislar é também fazer escolhas simbólicas, especialmente em tempos de escassez. A Licitação previa mais quatro computadores com custo estimado de R$ 27,5 mil cada. Nenhuma empresa se interessou nessa venda. São realmente necessários? Será bom para quem? Quando a cidade aperta o cinto, quando entidades sociais aguardam repasses, quando servidores convivem com incertezas e a população sente os efeitos da crise no cotidiano, decisões administrativas ganham outro peso. O que pode ser legal, nem sempre é oportuno. O que é permitido pela norma, nem sempre é compreendido pelo cidadão.

    Há uma máxima antiga, mas sempre atual: não basta ser honesto aos olhos da Justiça; é preciso ser honesto aos olhos do povo. Nem tudo o que é legal é, necessariamente, moral. E é justamente nesse espaço entre a lei e a sensibilidade pública que a reflexão se impõe.

    Cabe agora ao leitor, ao contribuinte e à sociedade avaliar se, ao apagar das luzes, esta era, de fato, a prioridade que Votorantim precisava.





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