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Votorantim,24/02/2026

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    Manifestação cobra permanência da Coopervot em Votorantim

    Fonte: Foto: Luciana Lopez
     Manifestação cobra permanência da Coopervot em Votorantim


    Cooperados e apoiadores da Cooperativa dos Catadores de Material Reciclável de Votorantim (Coopervot) realizaram uma manifestação na manhã desta segunda-feira (09) para cobrar a permanência da entidade no município. O protesto teve início no centro de triagem da cooperativa, localizado na Avenida Jaziel Azeredo Ribeiro, na Vila Garcia, e seguiu a pé até o Paço Municipal, na Avenida 31 de Março, no Centro.

    Com o auxílio de um carro de som, os manifestantes demonstraram insatisfação com a decisão da Prefeitura de Votorantim de encerrar o convênio com a cooperativa e determinar a desocupação do espaço utilizado desde 2001, ano de fundação da Coopervot.

    Segundo a presidente da cooperativa, Marlene de Barros Dias, desde o ano passado houve uma mudança na postura da administração municipal em relação à parceria. Até o início de 2025, a prefeitura fornecia combustível para o caminhão responsável pela coleta seletiva em cerca de 50% da cidade. O mesmo veículo também era utilizado para transportar rejeitos ao aterro sanitário localizado nas proximidades de Piedade.

    De acordo com os cooperados, materiais não recicláveis, como isopor, embalagens metalizadas e até resíduos orgânicos, representam entre 20% e 30% do total coletado, o que eleva os custos operacionais. Atualmente, o gasto mensal com combustível gira entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, valor que passou a ser descontado do faturamento da cooperativa e da divisão de lucros entre os cooperados.

    “Antes, os 17 cooperados recebiam em média R$ 2.300 por mês. Hoje, esse valor caiu para próximo de um salário-mínimo”, afirmou.

    Além disso, dos três caminhões da cooperativa, apenas um está em funcionamento. Os outros dois estão parados por falta de manutenção, serviço que anteriormente era realizado pela prefeitura. O micro-ônibus utilizado para transportar os trabalhadores até os bairros onde ocorre a coleta também está fora de operação. O fornecimento de uniformes, segundo a presidente, também foi interrompido.

    Atualmente, a Prefeitura de Votorantim cede o espaço físico da cooperativa e arca com os custos de água e energia elétrica. No entanto, diante das dificuldades financeiras e operacionais, o volume de materiais recicláveis processados caiu de cerca de 160 toneladas para aproximadamente 80 toneladas por mês.

    A cooperativa conta hoje com 17 cooperados, o que impacta diretamente cerca de 50 pessoas, considerando os familiares que dependem da renda gerada pela atividade.

    A Coopervot foi oficialmente notificada pela prefeitura para deixar o local até o final deste mês, com a exigência de que a área seja entregue totalmente limpa. Os cooperados, no entanto, afirmam não concordar com a decisão.

    “Não cogitamos atuar na cooperativa que irá assumir a coleta seletiva. Acreditamos que nossa instituição está consolidada e merece respeito pela história que construiu na cidade. Fomos nós que implantamos a coleta seletiva em Votorantim”, declarou Marlene.

    Em relação à justificativa apresentada pelo município sobre a ausência de documentos, os cooperados afirmam não compreender exatamente quais seriam essas pendências. Eles alegam que, em gestões anteriores, a parceria era colaborativa, com o próprio poder público auxiliando na prestação de contas, sem apontamentos do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Também questionam os motivos da desclassificação da cooperativa no chamamento público realizado neste ano.

    O ato durou cerca de uma hora e meia em frente ao Paço Municipal. Por volta das 12h30, três representantes da Coopervot foram recebidos por secretários municipais do Meio Ambiente, Negócios Jurídicos e Serviços Públicos, além de servidores da Controladoria e de outros órgãos. A imprensa não pôde acompanhar a reunião, sob a justificativa de que um resumo seria enviado posteriormente por meio de nota oficial.

    Após o encontro, Marlene relatou o que foi discutido na reunião:

    “Eles disseram que não podiam fazer nada porque a gente não levou documentos. Eu questionei como a pontuação poderia ter sido zerada se apresentamos documentação. Também falaram que a gente não estava cobrindo toda a cidade, mas desde março não abastecem o caminhão para a gente trabalhar. Tiraram tudo de nós”, afirmou.

    Segundo ela, os representantes do governo municipal informaram que poderiam reavaliar a situação e pediram um prazo. “Perguntamos quanto tempo, e não houve resposta clara. Então demos o prazo até sexta-feira. Se não houver solução, vamos voltar a nos manifestar”, disse.

    A presidente também afirmou que irá reunir novamente documentos, registros de pesagem e controle de entrada e saída de materiais para apresentar à prefeitura. “Vamos apresentar tudo o que temos até sexta-feira e ver o que vai ser decidido”, completou.

    Marlene ainda esclareceu que não apresenta prestação de contas financeiras à prefeitura porque, segundo ela, a cooperativa arca com seus próprios custos. “Tenho que prestar contas aos cooperados. O combustível é pago por nós. Não temos mais uniforme nem transporte. A verba nunca veio para a minha mão. Sempre foi a prefeitura que fez esse controle”, declarou.

    Uma nova reunião está marcada para sexta-feira (13), às 10h, no Paço Municipal. Segundo a presidente, esta foi a primeira vez que a cooperativa teve a oportunidade de apresentar seus argumentos diretamente aos representantes do governo.

    O caminhão atualmente utilizado pela Coopervot foi adquirido por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Estevam Galvão, a pedido do então vereador Luciano Silva, em 2022.


    Nota da Prefeitura

    Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura de Votorantim informou que encerrou o acordo de cooperação com a Coopervot devido à falta de documentação necessária para a execução das atividades e à não entrega de relatórios mensais exigidos pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

    Segundo o comunicado, a ausência desses documentos motivou questionamentos do TCE-SP e contribuiu para a queda do município no Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEG-M).

    A administração municipal informou ainda que um novo chamamento público foi realizado em 2025 para selecionar a entidade responsável pela coleta seletiva no município. A Coopervot participou do processo, mas não teria apresentado a documentação exigida, sendo desclassificada. A prefeitura afirma que todas as etapas do processo seguiram a legislação vigente, com ampla divulgação dos atos no jornal oficial do município.


    Histórico

    A Prefeitura de Votorantim anunciou, no final de janeiro, o encerramento da parceria com a Coopervot, que atuava na coleta seletiva do município desde 2001. A mudança ocorre após a conclusão do Chamamento Público nº 001/2025, que selecionou uma nova cooperativa para executar o serviço a partir deste primeiro trimestre de 2026.

    Duas organizações participaram do chamamento público: a Coopervot e a Cooperativa de Trabalho de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Sorocaba (Coreso). Após análise técnica, a proposta da Coopervot foi desclassificada, enquanto a Coreso foi a única classificada. 


    Por Luciana Lopez

    Fotos: Werinton Kermes, Luciana Lopez e Divulgação











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