Um ano depois, pai busca respostas e cobra Justiça pela morte do filho pela polícia em Votorantim
Ronaldo Camargo No último dia 18 de janeiro completou um ano da morte do vidraceiro Anderson Queiroz Camargo, de 28 anos, baleado por policiais militares no bairro Vila Dominguinho, em Votorantim. À época, a versão registrada pela Polícia Militar no boletim de ocorrência apontava que Anderson teria tentado escapar de uma blitz, atropelado um policial que teria ficado suspenso sobre o capô do veículo e, nessa condição, efetuado 14 disparos. Segundo o registro, o carro ainda teria percorrido cerca de 200 metros até colidir contra uma árvore, deixando também ferida a esposa de Anderson, que estava no veículo.
Um ano depois, o pai do jovem, Ronaldo Camargo, afirma que segue percorrendo órgãos de Justiça e segurança pública em busca de esclarecimentos. Ronaldo relata que esteve duas vezes no Ministério Público, onde foi recebido pelo promotor Emerson Martins Alves. Segundo ele, foi informado de que o MP depende da conclusão das investigações para análise do caso. “O Ministério Público me explicou como funciona o procedimento e até nos auxiliou no pedido de uma nova perícia, mas não tivemos sucesso neste pedido”, afirmou.
Na Polícia Civil, Ronaldo diz que foi atendido pelos delegados Rafael Godoi de Vasconcelos e Felipe Augusto Vicentin Ferrero Sala, responsáveis pela investigação conduzida pela DEIC. “Eles nos receberam e disseram que as investigações estão seguindo”, relatou. Já em relação à Polícia Militar, o pai afirma ter enfrentado dificuldades para obter diálogo. “Tive algumas tentativas para falar com eles. Não me procuraram, não pediram nenhuma informação”, declarou. Segundo Ronaldo, nenhuma das instituições apresentou informativo oficial por escrito. “As respostas são sempre verbais. Quando consegui conversar, a resposta é a mesma: ‘está em investigação, não foi concluído ainda’.”
Ronaldo afirma que, no dia em que Sabrina — esposa de Anderson — foi intimada para depor, a Polícia Militar informou que seria instaurado inquérito interno para apuração dos fatos. Desde então, segundo ele, não houve novos esclarecimentos. Sobre o policial autor dos disparos, Ronaldo diz que, na última semana, recebeu a informação de que ele permaneceu em atividades administrativas na Polícia Militar de Votorantim até dezembro e agora está de licença médica.
O pai também levanta dúvidas sobre pontos técnicos da investigação pericial. Segundo ele, o inquérito menciona oito cápsulas recolhidas, mas haveria apenas sete fotografadas. Também questiona divergências sobre o número de perfurações no para-brisa e a localização das cápsulas encontradas na calçada. “Se os disparos foram feitos com o policial sobre o capô e com o carro em movimento, como as cápsulas foram parar todas do lado direito da guia? Qual era a velocidade do veículo? São perguntas que não têm resposta”, disse. Ronaldo também afirma que, após o ocorrido, não foi encontrada nenhuma irregularidade que desabonasse a conduta do filho.
Em sua avaliação, o pai acredita que há inconsistências na narrativa apresentada inicialmente e cobra providências das autoridades. “Gostaria que olhassem esse caso com mais humanidade e que as providências fossem tomadas. Há um ano foi meu filho. Não quero que outra família passe pelo que estamos passando”, declarou.
Até o momento, as investigações seguem em andamento. A reportagem permanece aberta para manifestação da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público sobre o atual estágio do caso.
Texto e foto: Werinton Kermes





COMENTÁRIOS