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Votorantim,06/06/2026

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    EDITORIAL - Votorantim vai abraçar a educação ou deixar o futuro passar?

    Fonte: Divulgação
    EDITORIAL - Votorantim vai abraçar a educação ou deixar o futuro passar? Área no Jardim São Luiz


    Há decisões administrativas que ficam registradas em atas. Outras entram para a história. A possível doação de uma área municipal para a construção da sede própria da FATEC e da ETEC de Votorantim pertence à segunda categoria.
    Há cerca de um ano, representantes da FATEC, do Centro Paula Souza e do poder público local discutem a possibilidade de transformar uma área pública no Jardim São Luiz em um campus educacional capaz de mudar o destino de milhares de jovens. Não estamos falando de uma promessa vaga ou de um projeto sem recursos. Estamos falando de um investimento estimado em R$ 65 milhões, com potencial para gerar desenvolvimento, oportunidades e valorização urbana.
    A pergunta que precisa ser feita é simples: o que falta?
    O diretor da FATEC Votorantim, Mauro Tomazela, fez sua parte. O Centro Paula Souza fez sua parte. O presidente da instituição, Clóvis Dias, esteve em Votorantim. Houve reuniões. Foram apresentados estudos técnicos. Foi identificado um terreno considerado apto para a implantação do campus. O projeto foi desenvolvido sem qualquer custo para os cofres municipais. A mesa diretora da Câmara Municipal, segundo relatos, também demonstrou disposição para apoiar a iniciativa.
    Mesmo assim, o processo permanece sem definição.
    Mais do que isso: a atual administração afirma que não existe proposta formal em tramitação, apesar das reuniões realizadas e das tratativas conduzidas ao longo dos últimos meses. O contraste entre os fatos relatados pelos envolvidos e a posição oficial do governo apenas aumenta as dúvidas da população.
    Dúvidas que merecem resposta. Afinal, se existe uma área identificada, estudos técnicos concluídos, interesse do Governo do Estado, disposição do Centro Paula Souza e recursos disponíveis para a construção, por que o processo não avançou? O que efetivamente impede a formalização da doação? Existe algum impedimento jurídico, urbanístico ou administrativo? Ou trata-se apenas de uma decisão política que ainda não foi tomada?
    É impossível não olhar para o exemplo de Registro. Lá, a Prefeitura compreendeu a importância estratégica da educação. Doou a área necessária e, na última semana, recebeu o governador Tarcísio de Freitas para celebrar o anúncio das futuras instalações da FATEC e da ETEC, em um investimento que supera R$ 70 milhões. O município enxergou uma oportunidade e a transformou em realidade.
    Votorantim fará o mesmo ou assistirá essa oportunidade passar?
    Também é preciso dizer com todas as letras: a saída de um secretário não pode representar o abandono de projetos importantes para a cidade. Governos são instituições permanentes. Se uma proposta é boa para a população, ela não pode ser engavetada simplesmente porque foi iniciada por um gestor que não integra mais a administração.
    Mas esta responsabilidade não é apenas do Executivo.
    A Câmara Municipal também precisa cumprir seu papel institucional. Os vereadores têm o dever de fiscalizar, questionar e buscar informações junto ao governo sobre um tema que envolve educação, desenvolvimento econômico e um investimento milionário para o município. Independentemente de posição política, situação ou oposição, esta é uma pauta que interessa diretamente aos jovens, às famílias e ao futuro da cidade.
    A população tem o direito de saber qual é a posição de cada vereador sobre o tema. Quem defende a implantação da sede própria da FATEC e da ETEC? Quais iniciativas foram tomadas para acompanhar as negociações? Houve requerimentos, reuniões ou manifestações públicas em defesa do projeto?
    A cidade precisa saber qual é a posição dos seus representantes. A implantação de uma sede própria para a FATEC e a ETEC não é uma pauta partidária. É uma pauta de cidade.
    Os jovens de Votorantim não perguntam qual partido apresentou a ideia. Eles querem saber se terão mais oportunidades de estudar, se haverá mais cursos, mais vagas e mais perspectivas de futuro.
    O prefeito Weber Maganhato ainda tem tempo de transformar esse projeto em um dos maiores legados de sua administração. Afinal, como pretende ser lembrado daqui a vinte anos? Como o prefeito que permitiu que Votorantim recebesse um dos maiores investimentos educacionais de sua história ou como o gestor que deixou a oportunidade escapar?
    Obras são importantes. Eventos são importantes. Mas poucas iniciativas possuem o poder transformador da educação pública de qualidade.
    A história costuma ser generosa com aqueles que investem em conhecimento. E costuma ser implacável com aqueles que deixam as oportunidades passarem.
    A decisão está nas mãos do governo. Mas a responsabilidade de cobrar explicações e defender os interesses da população também pertence à Câmara Municipal. E os efeitos dessa decisão serão sentidos por gerações.





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