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Votorantim,11/07/2026

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    Crônica da semana - Dona Luiza: a mulher que viu Votorantim e o mundo se transformar


    Crônica da semana - Dona Luiza: a mulher que viu Votorantim e o mundo se transformar   dona Luiza


    Há pessoas que vivem muitos anos. E há aquelas que
    transformam o tempo em memória. Dona Luiza Ferreira pertence a esse segundo
    grupo. Ao completar 104 anos, no último dia 5, ela não celebrou apenas um
    aniversário, mas uma existência que atravessou gerações e acompanhou profundas
    mudanças em Votorantim, no Brasil e no mundo.

    Quando nasceu, Votorantim ainda era distrito de Sorocaba.
    Dona Luiza era criança durante a grande enchente de 1929, quando seu pai e seus
    tios enfrentaram as águas para socorrer e salvar moradores. A coragem da
    família Ferreira tornou-se parte da memória da cidade.

    Dona Luiza também foi contemporânea da descoberta da
    penicilina, da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, da Guerra Fria e da
    chegada do ser humano à Lua, em 1969. Aos quase 100 anos, atravessou e
    sobreviveu à pandemia mundial de Covid-19.

    Ex-moradora da Vila da Light, ela é filha de Angelina Leme
    Ferreira e de Joaquim Ferreira, o Quilin, um dos grandes jogadores de futebol
    de sua geração. Joaquim atuou pelo Internacional, disputou o Campeonato
    Paulista na década de 1920 e defendeu o antigo Sport Club Savoia. Em 1924,
    participou da inauguração do estádio do clube contra o Paulistano de Arthur
    Friedenreich.

    O esporte marcou a vida de Dona Luiza. Seus tios João,
    Leopoldo, Zeca, Pedrinho, Luiz e Sebastião também foram jogadores, assim como
    seu irmão Celso. Durante anos, as famílias Ferreira e Imparato formaram a base
    do Savoia. Em uma época de forte preconceito racial, esses atletas negros
    conquistaram reconhecimento e ajudaram a abrir caminhos dentro e fora dos
    campos.

    A contribuição familiar foi além do futebol. Sua tia Isabel
    Ferreira Coelho, mulher forte e determinada, tornou-se uma conhecida parteira
    de Votorantim e ajudou muitas crianças a chegarem ao mundo.

    Aos 104 anos, Dona Luiza é a memória viva de uma família
    negra que ajudou a construir a cidade. Cercada por filhos, netos, bisnetos e
    amigos, ela representa resistência, afeto e pertencimento. O tempo passou por
    Dona Luiza, mas ela também passou pelo tempo, deixando nele sua presença e sua
    história.



















    Parabéns, Dona Luiza. Votorantim também celebra a sua vida.



    Joaquim Ferreira, o Quilin , pai de Dona Luiza


    Família de Dona Luiza auxiliando moradores na enchente de 1929




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