No interior paulista vôlei sentado transforma limites em possibilidades
Programa recebe apoio do Instituto Adimax, sendo uma ferramenta de inclusão social
Divulgação Aos cinco anos de idade, Jussara Carriel perdeu parte do braço direito em um acidente. Mas o que poderia representar uma limitação, tornou-se o início de uma trajetória marcada pela superação. Hoje, aos 40 anos, casada e funcionária de uma siderúrgica, ela também é atleta da Associação Sorocabana de Desporto Adaptado (ASDA), onde encontrou no vôlei sentado muito mais do que uma modalidade esportiva:
“Desde que perdi o braço tive de aprender a lidar com desafios diários, mas foi no esporte que descobri uma força que não sabia que tinha. No esporte a deficiência não nos define, é apenas uma parte de quem somos”, reflete.
A história de Jussara é uma das muitas transformadas pelo Programa Paradesporto, do Instituto Adimax, iniciativa que apoia entidades dedicadas ao desenvolvimento do esporte adaptado em diferentes regiões do país. Entre elas está a ASDA, referência em Sorocaba na promoção da inclusão por meio do esporte para pessoas com deficiência.
Para Edmilson Bueno, responsável pelo Programa Paradesporto do Instituto Adimax, o esporte é uma importante ferramenta de transformação social. “O paradesporto tira as pessoas de casa, desafia as próprias habilidades, além de ajudar a criar conexões reais”.
Na ASDA, o vôlei sentado é desenvolvido em dois eixos: participação social e alto rendimento. Atualmente, a modalidade atende 35 atletas. O Núcleo Ativa Vida, realizado em parceria com o Sesc Sorocaba, reúne 13 participantes em um ambiente voltado à iniciação esportiva, priorizando o desenvolvimento motor, a promoção da saúde, a convivência e a autonomia. Já as equipes feminina e masculina de alto rendimento, com 22 atletas, representam a associação em competições oficiais, levando o nome de Sorocaba para torneios estaduais e nacionais. “Essa divisão é importante para que as pessoas saibam que o esporte é para todos. O esporte é inclusão. É identificação”, afirma Adilson Nunes, o “Dinho”, atual presidente da ASDA.
O vôlei sentado é uma modalidade paralímpica praticada por pessoas com deficiência física ou relacionada à locomoção. O esporte mantém grande parte das regras do voleibol convencional, mas apresenta adaptações que tornam o jogo ainda mais dinâmico. A quadra é menor, a rede fica mais baixa e os atletas precisam manter parte do tronco em contato com o solo durante as jogadas. Com seis jogadores de cada lado, as partidas exigem velocidade de raciocínio, trabalho em equipe, estratégia e grande capacidade de deslocamento utilizando os braços e o quadril, segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Além do aspecto competitivo, a modalidade proporciona benefícios físicos, emocionais e sociais. A prática contribui para o fortalecimento muscular, melhora da coordenação motora, do condicionamento físico e da mobilidade, ao mesmo tempo em que fortalece a autoestima, amplia a autonomia e estimula o convívio social.
“Cada treino me ensina sobre disciplina, resiliência e trabalho em equipe, provando que podemos ir muito além dos nossos limites físicos”, afirma Jussara.
Ao longo da trajetória, ela viu sua autoestima crescer e sua qualidade de vida melhorar. Mais do que competir, passou a representar sua equipe com orgulho e responsabilidade, tornando-se inspiração para outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes. “O vôlei sentado entrou na minha vida muito mais do que como um esporte. Ele se tornou um caminho de superação, pertencimento e transformação.”
Sobre o Instituto Adimax
Localizada em Salto de Pirapora, interior de São Paulo, a sede conta com uma estrutura completa. São 15 mil metros quadrados, com maternidade, canil, clínica veterinária, centro cirúrgico, área de soltura, lazer e treinamento, prédio administrativo e hotel para receber futuras pessoas com deficiência visual que receberão os cães-guias, e uma equipe multidisciplinar, distribuída nas áreas de saúde e bem-estar, equipe técnica, administrativo, relações institucionais, assistência social, responsabilidade social e operacionais, totalizando 53 colaboradores.
O propósito do Instituto é apoiar a inclusão de pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade e o bem-estar animal.
Antes de chegarem ao seu destino, os cães são acolhidos por famílias voluntárias onde ficam pelo período de um ano. O papel dos socializadores é expor os animais às mais diversas situações do cotidiano, para promover seu desenvolvimento e acostumá-los à rotina. Além, é claro, de dar a eles tempo e amor. Depois desse período, os cães voltam para o instituto e ficam entre 4 e 6 meses em treinamento. Após formados, poderão ser doados para dar início a missão: transformar a vida de pessoas com deficiência visual.
Além do Programa Cão de Assistência, o Instituto conta com outros 10 programas sociais que tem como finalidade a inclusão social e cuidado de pessoas em vulnerabilidade.
A entrega do cão guia é feita de forma totalmente gratuita aos candidatos que preencham os requisitos do Programa. A inscrição é feita diretamente no site: www.institutoadimax.org.






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